Diante do
número crescente de estados e municípios que não cumprem o piso salarial dos
professores, um grupo de trabalho da Comissão de Educação, formado por cinco
senadores, resolveu se mobilizar para exigir o cumprimento da Lei 11.738/08,
que fixa o valor mínimo para o pagamento dos profissionais do magistério em
todo o país. No último dia 14, em reunião com o procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, eles solicitaram que o Ministério Público encaminhe uma
representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a lei seja cumprida.
O último
levantamento da CNTE, concluído em março, mostra que 13 estados (das 27
unidades da Federação) descumprem a determinação legal de pagamento do piso,
atualmente de R$ 1.451, aos que iniciam a carreira e aos professores que têm
nível médio.
A Paraíba
editou uma medida provisória no final de março que fixa o valor mínimo dos
Professores em R$ 1.088,26. A decisão foi alvo de severas críticas de Cícero
Lucena (PSDB-PB) em pronunciamento no Plenário. Para o senador, essa medida (MP
193) reduz os salários da categoria e desrespeita as progressões do plano de
carreira sancionado pelo ex-governador e hoje senador Cássio Cunha Lima
(PSDB-PB), que também participa do grupo de trabalho da Comissão de Educação.
“A Paraíba foi surpreendida por um ato ditatorial do governo, mais um golpe de
morte na Educação pública”, protestou Cícero, citando o fechamento de quase 200
Escolas estaduais e a tentativa de quebrar a autonomia financeira e sucatear a
infraestrutura da Universidade Estadual da Paraíba.
Gratificações
Alguns
estados, segundo a secretária-geral da CNTE, Marta Vanelli, querem pagar o piso
para os professores que têm nível superior, como é o caso da Paraíba. Outros,
como Santa Catarina, onde os professores encerraram greve na última
terça-feira, querem incluir as gratificações no valor mínimo pago ao
magistério. Essas manobras, segundo Marta, configuram descumprimento da lei do
piso.
JORNAL DO SENADO, 16/05/12

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